Arte - Robson T - Madalena

Katrina

 

 

  Ela se inspirou a vida toda em Maria Madalena, ou pelo menos no que ela acreditava que era Maria Madalena, e seguiu assim a vida de puta e santa, mas não como um grande corte de luz como na vida de sua ídolo martirizada, e sim a vida de puta e santa simultaneamente. Seu nome era Katrina Louise Matheus, nome de garota rural de qualquer cidade, de qualquer lugar, é so abrasileirar, afrancesar ou o que quiser.

  De dia ela era Santa – pegava homens na cidade grande X, Y ou Z e pegava todos os tipos de homens, dos mais magros aos mais gordos, dos mais limpos aos mais sujos e assim seguia sua vida exaltando a santidade de se aceitar todos os homens, até mesmo pelos preços mais módicos, já que “tudo é para um Bem Maior”. Ela era tão bondosa e se achava tão Dona das Verdades Divinas que nas ruas seu nome não era Katrina Louise e sim Maria M., suficiente para identificá-la como a mulher que ela se sentia viver.

  Quando a noite chegava, era hora de virar puta e ela organizava todo o dinheiro que chegava na Igreja Evangélica que ela trabalhava dando testemunhos (não que ela fosse muito feliz sabendo que eles não davam muita bola para Maria Madalena, mas ela pensava que afinal de contas, ninguém era perfeito). O pastor ficava feliz de ter a ajuda dela, ela sempre aparentava ser muito ambiciosa e cheia de malicia, algo que faltava em muitas pessoas que ele conhecia em sua grande igreja, o incentivo estaria sempre ali para ela, se ela quisesse, claro. Um dia, talvez, ela se tornasse uma governadora, nada era impossível...

 

 



Escrito por End Credits às 15h50
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Eleições

Acabei de votar, claro, fui no César Maia, já que dentre Crivella (o corrupto da Igreja Universal do Reino de Deus), e Conde (seguidor de Rosinha e Garotinho), prefiro ficar com o cara que pensa na cultura do Rio de Janeiro, promovendo e incentivando vários espetáculos e festivais importantes para a cidade. A Jandira é a opção dos alternativos, mas infelizmente ela não tem condições de ganhar até pelo discurso acusador sem fornecer solução algum e uma clara política feminista, sem levar em conta que se governa para todos em igualdade e não só um seguimento.

Não creio que César Maia vá ganhar no primeiro turno, mas de qualquer forma, ele é o vencedor, só pode ser ele...se for Conde ou Crivella, rezem pelo Rio de Janeiro e só.

 

 

 



Escrito por End Credits às 15h43
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Este pequenino exercício literário já esteve no meu fotolog, mas vou dar um repeteco dele aqui:

“A noite era fria, todas as noites geralmente eram frias naquela região, mas ela não se importou, vestiu sua melhor roupa (uma que não contrastasse tanto assim com o breu daqueles tempos, não queria afrontar ninguém) e seguiu por caminhos pedregosos que já durante o dia eram difíceis e não se importou: seguiu.
Seguia a jovem negra como a noite através de sua missão e não encontrou ninguém em seu caminho (pelo menos não durante aqueles tempos, eram outros, pessoas se escondiam dos mistérios representados nela), a Terra era jovem e os jovens não costumavam caminhar pela noite em busca de identidade alguma, fosse ela musical ou grupal. Parou, inalou o doce ar que o eucalipto exalava especialmente para ela e não se furtou em pegar as flores que não temiam florescer durante sua passagem – estava tudo pronto.
Parou diante do abismo e pediu a seus Pais que lhe trouxessem a tela, tratou de cada flor que trouxe em seu corpo e como abelha a carregar polêm por campos sedentos de vida extraiu cor e prazer que logo refletiram na tela-Céu que seus Pais haviam cedido, pintou nuvens claras e cores suficientes para que o mar pudesse ter o verde-azulado que tanto a agradava e que os montes parecessem ainda mais verdes para que amantes pudessem rolar enquanto se impregnavam com perfume de capim orvalhado e cores vibrantes para que as crianças medrosas pudessem encontrar no Pai só o Amor e não a punição que os tolos logo tentariam ensiná-las. Soprou com força e criou novos movimentos para os Astros, cantarolou canções solitárias mas nem por isso tristes e se comoveu com o que encontrou – a tela do viver.
Cores e movimentos que se mesclavam a noite de mistérios e Seres que vinham brincar de se banhar onde a tintura parecia estar em excesso, Ela, como Mãe de Mistérios, simplesmente sentou e tocou sua criação como uma harpa esperando que seus Filhos pudessem apreciar mais um momento de seu maior mistério : o amor que nasce da escuridão sem medo de encontrar a luz, e então retornou para sua caverna de onde só voltaria quando a tela desgastasse e o vazio fosse enganador.
Até a próxima noite.”



Escrito por End Credits às 16h18
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As vezes a vida é muito engraçada, aliás, quase sempre ela é muito engraçada e esta é a tal da graça da vida pelo visto. Morto em um rua que junto de outras duas ganhou um nome e a propaganda que vejo ao chegar em minha rua é o seguinte:

“Athaydeville a Feliz Cidade”.

 

O mais interessante é que não existe nada de feliz aqui, as pessoas estão todas falidas e andam de nariz em pé com medo de serem pegas sem nota de cem na bolsa Vitor Hugo e eu conheço pelo menos uns três ou quatro suicídios, dois só em minha rua.

 

Isn´t it ironic?



Escrito por End Credits às 16h14
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Reality Shows

Dentre os vários reality shows disponíveis na TV Aberta, gostaria de destacar o “Sem Saída” da evangélica emissora RECORD. Com apresentação de Márcio Garcia, o programa pretende ser dinâmico, rentável para a maioria dos participantes e facilitador de cultura geral, além de ótimo indicador de como ainda somos um povo sem preparo em um tema tão importante que é a possibilidade de se ter um acervo de informações realmente  abrangente (vulgo “cultura geral”). O programa deu certo e continua no ar, é uma boa idéia e apesar da RECORD ser uma “terra de ninguém”, ela conseguiu superar emissoras como a Rede Globo de Televisão e o famigerado SBT com seu “Casa dos Artistas – Protagonista de novelas”, que só existe mesmo para provar que talento é algo difícil de se encontrar por aí.



Escrito por End Credits às 21h51
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Resposta: Never ;)

 

 Após tamanho encontro acabo tendo que ouvir pregações de um senhor negro que não recebeu atenção alguma de nenhum dos outros passageiros, pelo contrário, recebeu risadas. A fé hoje em dia tem caminhado cada vez mais ao lado da palavra “circo” na cabeça do povo ultimamente...

 

Dia 25 de Setembro

O dia do “Nada”

 

 Respondendo ao Didi: Minha real missão em BSJ não foi realizada ainda...fica pra próxima. De qualquer forma peguei uma cor e estou bonito – isso já basta ;)

 

Dia 26 de Setembro

O dia do Blog

 

 Acabei de chegar em casa, são 6 da manhã e o vicio me empurrou para o maldito computador, de qualquer forma descobri com o taxista que perseguições cinematográficas envolvendo táxis e pessoas adulteras é algo rotineiro para todos eles.

É o cinema copiando a vida real...

 

 

Agora vou dormir.



Escrito por End Credits às 06h34
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Narrativas de uma viagem rotineira ...

 

Dia 23 de Setembro

O dia da viagem

 

 Neste dia, conheci mais um pouco de vários bairros do Rio de Janeiro ditos perigosos antes de por o pé na estrada, não vi nada demais – como sempre – e apesar de saber que realmente indo mais para baixo você tem tiroteios freqüentes, não é por ser subúrbio que vai me apresentar mais riscos ou não, morro por morro é só ir para Copacabana e outros bairros “chiques” e descer a rua que você também chega em um monte de favelas tão “agradáveis e confiáveis” quanto as do subúrbio.

 

Estrada tranqüila, cheguei na Região dos Lagos.

 

Dia 24 de Setembro

O dia Cristão

 

 Este foi um dia hilário, precisávamos resolver umas questões referentes à bodas de ouro de um casal da família (motivo da viagem explicado neste momento) e conhecemos o padre da região – uma bicha louca e venenosa que adora dizer “poderosa” e coisas do tipo – eu fiquei bege, azul e amarelo, eu me senti falando com um pãe-de-santo e não com um padre, apesar de que não existe real diferença entre um ou outro, não? (A diferença básica é que o padre recebe a pomba-gira dele na cama entre quatro paredes com um menininho de seis anos qualquer da paróquia); E continuo me perguntando o de sempre: quando a Igreja vai permitir que os padres possam dar o cu deles OU quando os padres que gostam de sentar no pepino vão desistir de tentar esconder a libido deles debaixo de uma batina?



Escrito por End Credits às 06h33
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Meu Blog também é cultura e aí vai a dica do ano para vocês: Ileana Grillo, Venezuelana residente nos Estados Unidos porém com seus trabalhos incríveis, enraizados na cultura latina, com cores, vivacidade, beleza e poesia em várias formas de arte, ela não perde a latinidade, tão mal vista até por nós Brasileiros. Nós não somos “cucarachas”, somos um forte bloco cultural com zil oportunidades e assim será, se assim quisermos.

 

 

 

 

 

***

Acabei não indo ao encontro, não vou alimentar um padrão doente, quero começar com tudo clean, pessoas alegres, despreocupadas com futilidades sociais, melhor perder (ganhar)  tempo com a Ileana do que (perder) com essa gente.





Escrito por End Credits às 13h35
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Eu tenho um certo carinho por músicas de Créditos Finais de filmes e o que esta marcando minha semana – e o nascimento deste blog – são os Créditos Finais do filme Extermínio (28 days later), que é clichezinho mas delicioso.

 

O filme é considerado alternativo por algumas rodas, mas creio ver nele algo bem senso comum, a não ser no sentido de que tenta tratar a guerra entre Zumbis x Humanos de forma um pouco mais séria e estética do que a maioria dos outros no mercado. O velho clichê da roupa vermelha nas mocinhas acontece aqui também, mas creio ser um pouco mais representativo que em alguns outros filmes do gênero (ação-terror-suspense), o vermelho na roupa das mocinhas aqui representa ódio, sexualidade reprimida e o desejo de liberdade não concretizado. O filme é interessante no momento em que ele apresenta a questão deprê porém deliciosa de que nem sempre os Seres Humanos são seus melhores amigos, as vezes só você mesmo e aqueles que você realmente ama (ou por escolha própria ou por forçar a barra como no caso do filme) é que estão do seu lado. Quando o grupo de sobreviventes descobre que não há caminho limpo entre os outros sobreviventes que eles encontram, eles precisam exterminá-los em busca de um isolamento forçado e rejuvenescedor da alma até que eles possam realmente ter fé novamente na estrutura social humana e possam ser encontrados (onde começa a rolar o principio da música dos Créditos Finais) e então pagar pra ver.

 

***

 

Hoje talvez eu tenha um encontro pra ir...ele é simpático, levemente reprimido e inteligente, ai que padrão lindo é esse que eu persigo ;)

Ainda não sei se vou.



Escrito por End Credits às 18h00
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Então sejam bem vindos ao meu Blog, entrem no meu reino, não lhes prometo nada, não posso prometê-los nem em juras e nem em palavras vazias, talvez faça gracejos, sorria para você e o convide para minha vida...mas no fundo tudo é especulação e o que é certo? Só mesmo esse amor, esse mistério dos mistérios, essa força que brota e não concebe razão...

 

Me ame e nos amaremos juntos por essas páginas, narrativas tolas de um pobre mortal, assim como você, assim como a própria Terra.


Beijos

Pandorarj.blog.uol.com.Br, 21 de Setembro de 2004

 



Escrito por End Credits às 02h35
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Saí correndo. Subi aquelas ladeiras pedregosas e corri por aquelas matas calabresas até estar bem longe do mosteiro. Do alto, vi o majestoso Vivarium com seus claustros e telhados inclinados espraiando-se por toda a orla daquela enseada banhada pelo luar.

   Nunca mais tornei a ver a criatura de palha. Não sei o que era aquilo. Não quero que me faça nenhuma pergunta sobre ela.

 

(...)

 

  Agora, David, agora que você esta chegando a estas páginas finais, devo confessar que já o deixei. Os sorrisos com que lhe entreguei esses cadernos são falsos. Estratagemas femininos, diria Marius. A promessa que fiz de encontrá-lo amanhã à noite aqui em Paris era mentira. Já não estarei mais em Paris quando você estiver lendo essas linhas. Vou para Nova Orleans.

   Foi você quem fez isso, David. Você me transformou. Você me fez acreditar desesperadamente que na narrativa há a sombra de um significado. Agora conheço uma energia nova e gritante. Você me treinou, graças ao esforço de linguagem e de memória que exigiu de mim, a viver de novo a acreditar novamente que existe algum bem neste mundo.

(...)

   O que você fez, David? Agora eu tenho – com essa curiosidade nova, com essa capacidade apaixonada de me importar de novo com as coisas, com a capacidade de cantar renascida -, agora eu tenho a terrível capacidade de desejar e amar.

   Só por isso, se não for por mais nada, e há tanto mais, eu já lhe serei eternamente grata. Pouco importa o que eu vá sofrer, você me despertou. E nada que você faça ou diga poderá acabar com meu amor por você.


FIM”

PANDORA – Anne Rice



Escrito por End Credits às 02h35
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   Eu, que nunca tinha visto espíritos, fiquei olhando espantada para aquilo. Então essa coisa percebeu minha presença. Virou-se. Ele – pois parecia homem com aquelas roupas maltrapilhas e aquele corpo de palha – tentou me pegar. Esticou os braços. A palha saía pelas mangas. Sua cabeça de madeira balançava na vara que a sustentava. Essa coisa me implorava: suplicava que eu lhe desse as respostas para as indagações mais importantes já feitas por humanos e imortais. Encarava-me à espera de respostas!

   Então, dando mais uma olhada para o corpo de Cassiodoro, veio correndo para mim pela relva, e a necessidade a deixou, derramou-se dentro dela, que me olhava de braços abertos. Não teria eu uma explicação? Não poderia eu atribuir a algum desígnio divino o mistério e a perda de Cassiodoro? Cassiodoro que com seu Vivarium rivalizava com as abelhas em elegância e glória! Foi o Vivarium que reuniu essa consciência a partir das abelhas! Não poderia eu amenizar a dor dessa criatura?

 

 

 

 

 

-         HÁ COISAS HORRIVEIS NESTE MUNDO – murmurei – SÃO FEITAS DE MISTÉRIO E DEPENDEM DO MISTÉRIO. SE QUISER TER PAZ, VOLTE PARA AS COLMEIAS, ABANDONE A FORMA HUMANA E TORNE A BAIXAR, FRAGMENTANDO-SE NA VIDA INSCONSICÊNTE DAS ABELHAS SATISFEITAS DA QUAL VOCÊ SAIU.

   Ele estava imóvel, e me ouvia.

-         SE QUISER TER UMA VIDA CARNAL, HUMANA E ÁRDUA QUE POSSA SE PASSAR NO TEMPO E NO ESPAÇO, LUTE POR ISSO. SE QUISER TER UMA FILOSOFIA HUMANA, ESFORCE-SE E TORNE-SE SÁBIO, A FIM DE QUE NADA POSSA MAGOÁ-LO. SABEDORIA É FORÇA. SEJA LÁ O QUE VOCÊ FOR, TRANSFORME-SE EM ALGO QUE TENHA UM OBJETIVO.

-         MAS FIQUE SABENDO DE UMA COISA: TUDO AQUI EMBAIXO É ESPECULAÇÃO. TODOS OS MITOS, TODAS AS RELIGIÕES, TODAS AS FILOSOFIAS, TODA A HISTÓRIA – TUDO ISSO SÃO MENTIRAS.

 

   A coisa, fosse ela homem ou mulher, ergueu aqueles feixes de palha que eram suas mãos, como se para cobrir a boca. Virei-lhe as costas.

   Fui andando calada pelas vinhas. Logo logo os monges descobririam que seu Padre Superior, seu gênio, seu santo, morrera enquanto trabalhava.

   Olhei para trás espantada e vi que o boneco de palha continuava lá, organizado, assumindo a postura de um ser ereto, a me observar.

 

-         NÃO ACREDITAREI EM VOCÊ! –gritei para o espantalho. –NÃO PROCURAREI AS RESPOSTAS COM VOCÊ! MAS FIQUE SABENDO DISSO: SE VOCÊ QUISER VIRAR UM SER ORGANIZADO COMO ESTA VENDO QUE EU SOU, AME TODA A HUMANIDADE, HOMENS, MULHERES E CRIANÇAS. NÃO TIRE SUA FORÇA DO SANGUE! NÃO SE ALIMENTE DO SOFRIMENTO. NÃO SE ELEVE COMO UM DEUS SOBRE O POVO CANTANDO EM ADORAÇÃO. NÃO MINTA!

 

   A coisa ouvia. Escutava. Continuava imóvel.



Escrito por End Credits às 02h34
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(...)

 

[Nota pessoal: Ela se encontra agora na Itália do Século VI observando um mosteiro]

 

   Havia também um apiário nessa suave encosta enluarada, com centenas de colméias das quais os monges colhiam mel para sua mesa e cera para as velas sacras e geléia real para a fabricação de ungüentos. As colméias cobriam um morro maior que a horta e o pasto de Vivarium.

   Fiquei espiando Cassiodoro. Passeei no meio das colméias e me deslumbrei com a incrível organização das abelhas, pois os mistérios das abelhas, de sua dança, de sua caçada ao pólen, de seu acasalamento, tudo isso eu já conhecia de vista antes que fosse compreendido pelo mundo dos humanos.

   Deixando as colméias, quando me dirigia para a cela de Cassiodoro, orientada pela luz de sua lâmpada ao longe, olhei para trás. E vi uma coisa.

   Algo se formava nas colméias, uma coisa imensa e invisível e poderosa que eu sentia e ouvia. Eu não estava com medo, estava apenas animada por uma esperança passageira de que uma Coisa Nova tivesse vindo ao mundo. Pois não sou nem nunca fui de ver fantasmas.

   Essa força vinha das próprias abelhas, de seu conhecimento intrincado e de seus inúmeros padrões sublimes, como se elas de alguma forma tivessem sofrido uma mutação, ou dotado esse conhecimento de consciência por meio de sua infinita criatividade, meticulosidade e resistência.

   Parecia um espírito da floresta dos antigos romanos.

   Vi essa força sobrevoar livremente os campos. Vi-a entrar no corpo de um espantalho que lá estava, um boneco que os monges haviam feito com uma cabeça redonda de madeira, olhos pintados, nariz bruto e boca sorridente – uma criatura sólida que às vezes era mudada de lugar, intacta com aquele capuz e aquele hábito de monge.

   Vi esse espantalho, esse boneco de palha e madeira ir rodopiando e dançando por campos e vinhas até chegar à cela de Cassiodoro.

   Fui atrás!

   Então ouvi um gemido silencioso vindo desse ser. Ouvi isso e vi o espantalho todo curvado numa dança aflita, tapando os ouvidos que ele não tinha com os feixes de palha que eram suas mãos. Ele se contorcia de dor.

   Cassiodoro estava morto. Morrera mansamente em sua cela iluminada, a porta aberta, sentado à escrivaninha. Sua cabeça grisalha de ancião repousava sobre o manuscrito. Ele vivera mais de noventa anos. E estava morto.

   Essa criatura, esse espantalho, estava desesperado de dor, balançando o corpo e gemendo, embora nenhum humano tivesse capacidade de ouvir esses gemidos.

 



Escrito por End Credits às 02h33
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***

 

Voltando ao tema: Pandora.

Aí vai o trecho que cabe ser lido por todos aqueles que querem me entender um pouquinho melhor:

 

  “David, o que você fez comigo incentivando-me a escrever esta narrativa?

   Fez com que eu me envergonhasse dos anos que desperdicei. Me fez reconhecer que nunca houve escuridão capaz de apagar meu conhecumento pessoal do amor, amor por mortais que me trouxeram ao mundo, amor por deusas de pedra, amor por Marius.

   Sobretudo, não posso negar a ressurgência deste amor por Marius.

   E estou sempre vendo indícios de amor à minha volta nesse mundo. Por trás da imagem da Virgem Abençoada e seu Menino Jesus, por trás da imagem do Cristo Crucificado, por trás da recordação daquela estátua de basalto, representando ìsis. Vejo amor. Vejo amor no esforço humano. Vejo a inegável penetração do amor em todas as realizações humanas, na poesia, na pintura, na música, nas relações interpessoais e na recusa à aceitação do sofrimento como destino.

   Acima de tudo, porém, vejo amor na própria composição do mundo, a qual ofusca toda forma de arte e não pode, por pura obra do acaso, ter acumulado tanta beleza.

   Amor. Mas de onde vem esse amor? Por que faz tanto segredo de sua fonte, esse amor que cria a chuva e as árvores e salpicou as estrelas lá no céu como os deuses e as deusas alegavam ter feito?

(...)

 

   Que os jovens cantem canções de morte. Eles são idiotas!

   A melhor coisa sob o sol e a lua é a alma humana. Fico maravilhada com os pequenos milagres de bondade que acontecem entre os humanos, fico maravilhada com o desenvolvimento da consciência, com a persistência da razão diante da superstição e do desespero. Fico maravilhada com a resistência humana.

(...)

 



Escrito por End Credits às 02h32
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Seria impensável começar um Blog (aliás, deve ser o décimo que crio desde que Blog existe nessa Terra Cybernética de Deuses em formas de Nick e fotos cheias de Photoshop *risos*) com o nome de Cantador e endereço contendo “Pandora” sem colocar a fonte inspiradora de minha vida, a personagem que mais explicou meu senso de existência numa Terra de tantos símbolos e falsos ídolos.

***

 

Eu sou um pouco Pandora, não a da mitologia grega, mas da mitologia moderna de Anne Rice, um Ser carregado de fé e sexualidade que as vezes reprime tudo por uma simples idéia, um simples vislumbre do que é poder sentir um amor – mesmo que frio e inacabado como o que Pandora viveu com Marius durante tanto tempo. Eu sou aquele que busca essa simples idéia e nem tudo que é simples é o mais fácil e nunca vou me esquecer desta regra tão bem desenvolvida em uma peça que vi a alguns anos atrás onde o protagonista encontrava uma das muitas “mocinhas-wanna-be” e se dizia triste por que ela sairia da movimentada Nova Iorque para voltar para o Interior, ela lhe diz que não tinha como dar certo o amor deles e então surge este breve e elucidativo dialogo:

 

Ele – Mas o que você quer é tão simples!

Ela – Pois é Robert, mas sempre o mais simples é o mais difícil de se encontrar...

 

E volta a mocinha para o seu interior, às lágrimas, procurando suas cachoeiras e verdejantes paisagens até nunca mais encontrarmos ela na peça...

 

Será que na peça da vida só cabem as pessoas que querem o mais complicado?

As vezes penso que sim...

 

 



Escrito por End Credits às 02h31
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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Música, Livros


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01/10/2004 a 15/10/2004
16/09/2004 a 30/09/2004


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